quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Urbutopic

Chove e é noite numa cidade neblinada.
Parecida em sonhos, reflete talvez um ar de tristeza,
mais muita complacência e encanto diante do mundo.

De uma caminhada modernista, surgiu permanente.
Das danças paisagísticas encobriu-se no mistério.

Não há partida e nem chegada...só transição.
Não há forma nem razão,
enquanto a mão rebater atenta
o simples ato da revolução.

Utrus dia fui lá na casa de Caxeta, filho de Nico do seu Zé Menezes da mercearia(Pode conhecer!). Surpreendi de imediato com sua figura, meio embriagada e uma cara de cachorro raivoso. Tava bão não!Falava de universos. Só igual a ele pra entender....coisas simples...Falava com contextos inesperados, como -"sou invísivel"- , ou - "sou ligações celestiais concretas, ou pó do sideral"- Seria de fato a globalização?O resultado do alto conhecimento humano sobre ele mesmo?Ah..rssfdj..me enganei..rsrs,isso aí é união disfarçada de povos ,né?Pobre seria um sábio, que não me levasse em consideração. Sou poeta pô...sou poeta.Ou seria alucinação?
Deu no jornal:
Namorado mata namorada, e esquarteja o seu corpo ficando apenas com a buceta pra chupar.
A buceta apodreceu no final.
CENSURADO

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Olhe ao lado

"Olhe para todos a seu redor e veja o que temos feito de nós.

Não temos amado, acima de todas as coisas.

Não temos aceito o que não entendemos porque não queremos passar por tolos.

Temos amontoado coisas, coisas e coisas, mas não temos um ao outro.

Não temos nenhuma alegria que já não esteja catalogada.

Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas.

Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.

Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.

Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.

Temos procurado nos salvar, mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes.

Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de ciúme e de tantos outros contraditórios.

Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível.

Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa.

Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada.

Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos o que realmente importa.

Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.

Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses.

Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer “pelo menos não fui tolo” e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.

Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos.

Temos chamado de fraqueza a nossa candura.

Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo.

E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia".

क्लारिस लिंस्पेस्क्टर

[sine data]

terça-feira, 9 de setembro de 2008

NO ÁTOMO DA TUA CARNE

No átomo da tua carne, lá estarei. A brincar com teus prótons e elétrons, lá estarei. Os nêutrons não, porque são um bando de babacas. Quero apenas que o LHC seja ligado e a filosofia materialista triunfe sobre esses porcos bocejadores. Espero que o sangue triunfe sobre o espírito e o neurônio sobre a idéia. E assim transmitiremos nossos fluidos mais uma vez, antes que a noite acabe. Antes que os átomos da tua carne saiam por aí, se rearranjando em qualquer outro lugarejo do cosmos.
Sim, eu sou materialista. Mas, o que significa, para mim, ser materialista? Ser materialista significa assumir como pergunta íntima e fundamental a seguinte questão: o que é a matéria? Ou seja, meu materialismo parte de uma pergunta e não de uma resposta. De uma pergunta que talvez nunca seja respondida.
Eu e meu parceiro Demócrito canibalizando partículas pelo planeta, à procura de garotas quânticas, consumindo mais uma equação pela noite. Um equação que nos deixará completamente doidos. Eu gosto da energia escura a sambar na madrugada das galáxias.
As forças de interação nuclear estão agindo em meu pênis, meu esperma é lixo atômico puro. Não toque ou poderá se contaminar.
Eu sou materialista? Mas se me perguntas o que é a matéria, eu respondo: não sei! Mas sei que ela está por aí, escura, colorida, com suas ilusões, sua criação e destruição. O que é a matéria? Espero que os físicos, com a ajuda do LHC me esclareçam (quero um pedaço de LHC). Ou talvez não. Talvez eu viva com essa questão. Afinal, quem precisa de respostas? Não gosto de respostas, as respostas matam, escravizam, congelam. As respostas dogmatizam, as respostas são a morte do pensamento. Por isso não possuo uma crença, possuo uma pergunta, uma indagação, e na minha indagação eu vivo inquieto. Não quero que ninguém me esclareça, não desejo ser esclarecido. Não desejo ensinar ou iniciar. Não desejo estar certo. É a minha pergunta e a minha metáfora. Deixem-me em paz, malditos!!! No átomo da tua carne, lá estarei, a esperar uma colisão de partículas que dará origem a um novo universo. Um novo univeso de átomos e de carne. Doce carne erótica de tua boca. Me dê um pouco de teus átomos, bem na boca. Só um pouco de teus átomos. Antes que eles fujam do físico ateu.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Fragmento V

Lema do Boi


Vaca, capim e sal;


E correr do açougueiro depois!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

1° Observação

O poêta aponta a lua o imbécil olha o dedo !
( )

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O Grito Silencioso

De uns tempos para cá, um tropeço me fez dar alguns passos para trás e para os lados, e comecei desajeitadamente a dançar – sem mais certezas. Literalmente e em sentido figurado... O curioso é que o sentimento de estranheza em relação a tudo, que surgiu aí, surgiu precisamente a partir do que, por outro lado, me deu uma razão para me prender ao mundo. Velho impasse, velhas incertezas, um passo atrás um passo a frente.
A partir daí, apesar de sentir meu espírito como que em delírio, e de forma estranhamente lúcida – nada. Nada! Talvez, me disse não sei quem na época, fosse aquela terrível inquietação que por vezes se mostra quieta. – Ah! Mas de que me adianta ter o espírito envolto a toda sorte de “imagens” se por fim elas não passem disso, não assumam um caráter efetivo? E por outro lado, na falta da Forma, ou melhor, na falta da Bela Forma, a matéria não passa de merda solitária.
E é mais ou menos em meio a esse estorvo que me perdi por esse longo tempo de silêncio aqui, neste renomado blog. De um lado, eu, Antônio Ribeiro, acreditando estar possuído pela “Musa” (mas não conseguia tornar isto objetivo); de outro lado, uma vastidão de possibilidades de mundo, mas sem forma e sem sentido.
A idéia até que vinha, mas como que um instante antes de chegar às cordas da laringe, tísica, tênue, mínima, raquítica, ou antes que eu conseguisse fixá-la em tinta e papel, ela se perdia em redemoinhos de devaneios tristes que a sufocava e reprimia. Ou ainda se perdia em textos outros, como se perdeu... Mas não mais! – Este escrito vem quebrar o silêncio depois de oito meses!
Desculpem-me, caros possíveis leitores, não tive paciência para bolar aqui uma apresentação com mediações mais elaboradas. Escrevo o presente quase por imposição, minha imposição. Nada de torto e brilhante – é certo.
É mais como se um anjo reto tivesse dito: Vai, Ribeiro! Ser destro na vida!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Casos provincianos

Havia um tal chamado Chico Sé; este só de ver dava medo. Era um homem dos terríveis; sempre armado, sempre desconfiado. Sabia-se de dois defuntos que ele dera cabo. Um foi numa banalidade das tamanhas: matou o cristão com o único motivo de se ver livre de uma dívida de alguns poucos reais, que nem vale a pena aqui dizer o quanto. O outro foi por um motivo mais nobre um pouco – o tal havia ultrajado sua irmã e ele se viu no direito de fazer justiça.
Nunca se vira uma criança perto dele, nem uma pessoa sorrindo; dava para se sentir a densidade daquela figura maldita a quilômetros. Até mesmo os cães sentiam o cheiro de gente ruim e se afastavam quando Chico Sé se aproximava. Era casado e batia na mulher, que coitada, foi-lhe vendida pela mãe pobre quando tinha por volta de seus quinze anos. Ela era um mero objeto na mão daquele truculento sem modos. Havia ódio no olhar dela quando se tocava no nome do marido.
Eu via aquele homem do fundo do bar de meu pai nos idos anos de minha vida; um bar de beira de estrada, onde com freqüência Chico Sé passava com aquele seu opala velho cheirando gasolina. No bar bebericava umas cachaças e contava histórias de dar medo nos demais, principalmente em mim e meu irmão, que ainda éramos crianças. Vi, por estas e outras, que ele não valia muito o angu que comia...
Vai que um dia Chico estava no bar, do lado de fora sorvendo um pouco daquele vento de agosto que a muitos leva. Eu o observava do brejinho ao lado, onde eu e meu irmão brincávamos sempre. Ele picava fumo de rolo para fazer um cigarro; fazia seu trabalho parcimoniosamente, como se ele não fosse o cara truculento que era normalmente. Depois começou a ajeitar a palha de milho para fazer o mais belo cigarro – deve ter pensado – pois com a mesma parcimônia com que picava o fumo, também ajeitava a palha.
Mas aí soprou um vento mais forte, que levou sua palha, que então já devia estar pronta para o melhor cigarro. A palha voou para o asfalto e Chico Sé, com a mesma calma com que fazia todo o serviço para enrolar o cigarro, foi apanhar a palhinha, antes que outro vento a levasse para mais longe. Abaixou-se para pegar a danada, mas como havia de algum modo previsto, veio um vento e a levou. Chico Sé já começava a se encrespar com as forças da natureza, mas não teve muito tempo: veio um caminhão que o atropelou e quebrou metade dos ossos de seu corpo.
Quando vi os bombeiros apanhando o que restara de Chico Sé espalhado pelo chão, pensei que nunca mais veríamos aquele machão vivo. Ouviu-se tempos depois que ele havia quebrado as duas pernas, os dois braços, por volta de sete costelas, sem contar os quase mil pontos que foram usados para ajuntar todos os seus pedaços. Mas aparte isso, tinha sobrevivido, diziam.
Eu nunca acreditei que um homem pudesse sair vivo de um acidente como tal até o dia em que vi Chico Sé adentrando estrondoso o bar de meu pai, não mais do que seis meses depois do ocorrido. Agora ele estava um pouco torto, com algumas cicatrizes no rosto, o que o deixara mais terrível. Era o mesmo homem que estava ali na nossa frente, com os mesmo gestos e truculências.
Depois disso ele apareceu no bar por diversas vezes; veio com muitas outras histórias de terror. Ouviu-se depois até dizer de um que havia morrido e que era o Chico Sé o encomendador. Depois ele ficou por um tempo sumido; apareceu esparsamente no último ano; e um belo dia de agosto de ventos soprantes e luz densa, chegou a notícia que não tardava: Chico Sé morreu.
Eu pensava até então que Chico Sé não era homem de morrer – devia ter parte com o sujo. Mas morreu, e na hora pensei, como todos devem ter pensado, que no mínimo a morte devia ter sido morte matada – muita gente não gostava daquele sujeito. Porém, foi logo adiantando o Zé Lé, que dava a notícia, que ninguém tinha matado ele não: Chico Sé morreu engasgado com café, disse. Ninguém acreditou naquela notícia inverossímil; como podia um homem feito o Chico morrer de forma tão besta? Pensavam todos. Deve ser um castigo do destino ou de Deus. O certo é que Chico Sé depois de morto virou motivo de chacota: um homem que parara um caminhão no peito ia morrer engasgado com café.
De tudo ficou uma lição: cuidado com seu cigarro, mas principalmente com seu café.