quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
domingo, 28 de junho de 2009
Casos provincianos
No longínquo fevereiro de 75, numa sexta feira de carnaval, Geraldo entra na fábrica de tecidos para uma jornada de trabalho das 13 às 22 horas. Estava decepcionado de ter de ir trabalhar num carnaval de Deus. Sabia que às 23, quando conseguiria chegar à folia já estaria no final da festa na rua. Era a hora que os foliões com dinheiro se recolhiam aos bailes de salão; como não era ocaso dele ser um desses foliões...
Caminhando pelo corredor de entrada da fábrica, Geraldo ia pensando em como conseguir burlar o trabalho para cair na folia. De longe avistou o encarregado de sua área e foi logo se achegando para ver o que ele podia fazer.
– Bom dia sêo Valdemar!
– Bom dia Geraldo! Você me cumprimentando com tanto entusiasmo, aposto que está querendo alguma coisa...
– Te confesso: preciso de uma licença de 5 dias.
– O que foi dessa vez? Seu avô paterno morreu novamente?
– Quê isso, sêo Valdemar, não sou sujeito de mentiras! É que preciso fazer uma viagem à capital, com urgência.
– Te dou os cinco dias, mas depois do carnaval, pois precisamos de você aqui estes dias.
– Aí já não vou precisar...
– O que você quer é uma folga no carnaval, não é? Muito bonito...
Geraldo deu uma risada concordante com o que sêo Valdemar dizia. Depois de bater o cartão, foi se adentrando mais e chegou onde estavam algumas mulheres que lá trabalhavam.
– Como vai Carminha?! Ei, Lurdinha! Ei todas as inhas! – disse Geraldo.
– Lá vem ele cheio de graça. – disse Carminha, que ajeitava os cabelos para proteje-los das engrenagens da máquina.
– Carminha, meu amor, o que você vai fazer nos próximos cinco dias?, perguntou Geraldo, com seu jeito brincalhão.
– O mesmo que você.
– Então vamos curtir o carnaval juntos? Que maravilha!
– Acorda, Geraldo! Tenho família para criar: o que vamos fazer é trabalhar. A não ser que você agora deu para ser burguêz e vai no baile do clube depois do expediente. Mesmo assim não posso ir...
– Você acha mesmo que eu vou trabalhar durante o carnaval? O mundo na folia e eu aqui me matando?
Foram para o trabalho pois já passava da hora para se começar a atividades. Geraldo trabalhou durante algumas horas, sempre matutando um plano para salvar seu carnaval – pois carnaval é uma vez por ano! Quase se acidentou certo momento por causa da distração. Por volta das 17 horas, lembrou-se subtamente de que outro encarregado, sêo Chiquinho, havia dito certa vez que o dia em que alquém se atrevesse a chamá-lo por seu apelido, tomaria uma suspensão de no mínimo uma semana.
– É disso que preciso! – disse Geraldo consigo.
Ele foi então atrás do homem que resolveria sua situação. Quando Geraldo o viu , ele estava importunando algum funcionário por agum motivo besta. É hoje que ele solta fogo pelas ventas, pensou Geraldo. Deixou que sêo Chiquinho acabasse de falar as suas ao funcionário circunspecto e se aproximou com aquela cara só sua. Deu uma batidinha amigável com a mão nas costa do Chiquinho.
– Como vai, sêo Chiquinho ‘Poucas Pregas’?! – disse Geraldo, num tom um pouco irônico, um pouco sério, como um exímio sofista.
Chiquinho ficou vermelho feito um peru. Saiu, como Geraldo previra, soltando fogo pelas ventas. Foi direto à sala do diretor geral que logo solicitou a presença de Geraldo.
– Você está suspenso por sete dias. – disse sêo Ornelas impassível.
– Mas o que é que eu fiz? – perguntou cinicamente Geraldo.
– Você ainda pergunta o que fez? – perguntou sêo Chiquinho.
– Você ainda pergunta o que fez? – perguntou o diretor, quase que ao mesmo tempo que Chiquinho, e contiunuou – Tratou de forma desrespeitosa um superior seu.
– Mas eu não sabia que estava lhe faltando com respeito, seu Chiquinho!
– Imagina...
Geraldo assinou a adivertência que lhe dava sete dias de folga, ou melhor, de suspensão. Passou na área onde trabalhava para pegar sua bolsa. Teve ainda o tempo de um dedo de prosa.
– Te disse que eu ia ao carnaval, não disse? – falou Geraldo a Carminha, com um sorriso estampado no rosto.
– Como conseguiu isso, seu sem vergonha!
– Na próxima sexta, quando eu estiver de volta e com tempo, te conto.
E Geraldo saiu às pressas e se escondeu no alto das escadaria que dava assesso à fabrica. Logo chegou à porta os três: sêo Chiquinho, sêo Ornelas e sêo Valdemar.
– Aquele sem vergonha já sumiu feito fumaça; agora deve estar rindo de nossa cara... – dizia Chiquinho, mais vermelho do que nunca.
Geraldo acabou de subir a escada e lá do topo deu um forte assovio para chamar a atenção dos três. Quando notou que eles estavam vendo-o, fez-lhes uma banana e se foi dando gargalhadas.
sábado, 27 de junho de 2009
R. F. atacando de poeta romântico (morto aos 21)
Acho que Ela merece versos;
Merece!
Pois bem;
Mesmo eu não sendo um poeta,
(ou antes,
um poeta digno)
Tiro da manga versos,
Que não rimam com nada,
Que são disperssos,
E que se fossem vendidos,
Não valeria uma moeda.
Mas meus versos vêm com nobre intuito,
Sincero:
O de louvar a beleza –
Desejada por todos.
Versos saídos da manga?
Sim!
Minhas mãos saem das mangas da camisa,
Escrevem esses versos,
Que não têm outro intuito,
Senão o de louvar a beleza:
Em especial a beleza Dela!
Mas meus versos não conseguem ser belos...
Será que é essa fumaça do futuro?
Os salavancos da pós-modernidade?
O mundo a todo vapor?
Meu coração a todo vapor!
Meus olhos vêm fumaça futurística,
E por entre ela,
O sorriso inflamável que aquece as caldeiras de minhas entranhas!
terça-feira, 16 de junho de 2009
terça-feira, 28 de abril de 2009
o que as maquinas fazem ...
http://naldzgraphics.net/inspirations/30-most-weirdest-animal-photo-manipulation/
segunda-feira, 30 de março de 2009
Sinto o Mundo Com Meus Pés
Sinto o mundo com meus pés
Mues paralelepípedos são as montanhas
Minha poça d'água, os rios e lagos
Meus calos, um ponto de interrogação
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Confidências de um Inconfidente em Ouro Preto
Em uma noite de Sexta – Feira, bar lotado, muita fumaça, muito calor, muito barulho; eu e um amigo discutíamos sobre música, filosofia, mulheres; enfim, sobre tudo, como costumávamos fazer sempre quando nos encontrávamos ali.
Depois de algumas cervejas e três (ou seriam quatro) doses de pinga com mel, uma figura estranha entrou no bar. Engraçado, ele me lembrava alguém. Mas quem? Vestia calça de malha azul, camisa branca, coturno. Tinha os cabelos longos, barba feita, e o mais engraçado, andava com uma espada de madeira presa a sua cintura. Cutuquei meu amigo e disse: "Olha o cara". Rimos muito. Pessoas estranhas frequentavam o Barroco, mas igual a este sujeito nuca tínhamos visto. Olha que não era nem carnaval!
Ele entrou, todo mundo olhou, uma com mel ele solicitou, no balcão ele trepou, e logo seu discurso começou: "Oficial feio e espantado, malvado, fraco talento, pobre sem respeito, não, isto não. Mas louco; louco sim. Quem não é louco (As pessoas escutavam atentas, nunca houve tal silêncio naquele bar)? Todos os grandes homens e mulheres da história reservam o direito de serem loucos. Picasso era louco, Glauber era louco, Vinícius e Sócrates também. Claríce era louca, Maria I e Sinhá Olímpia eram também. E eu Tiradentes sou louco. Louco por liberdade e pelos meus sonhos".
As pessoas se levantaram e entre aplausos e assobios, "Tiradentes" agradeceu, pulou do balcão deu uma golada na sua pinga com mel e foi se embora.
Cutuquei meu amigo de novo e falei: "Olha o cara". E rimos muito!
